domingo, 22 de março de 2026

Ensinar e aprender na EAD: dificuldades, limitações e superações

 Especialização em Alfabetização e Multiletramentos - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ - UECE

Ensinar e aprender na EAD: dificuldades, limitações e superações

Ensinar e aprender na EAD: dificuldades, limitações e superações, tema deste manuscrito, deriva das elaborações sobre esta atividade: as principais dificuldades, limitações e superações que você e a turma encontraram do início da nossa caminhada até o momento. A rigor, o texto provoca reflexões sobre os processos de ensino-aprendizagem, condições de acesso e desafios vivenciados pelos estudantes da Especialização em Alfabetização e Multiletramentos. Decerto que a Educação a Distância (EAD) possibilita que alunos de diferentes regiões tenham acesso a cursos (graduação ou especialização) em universidades renomadas, mas não podemos desconsiderar que a dificuldade de adaptação ao formato de estudo, a ausência de diálogos presenciais entre educador-educandos e educandos-educandos, a instabilidade da internet e a qualidade dos recursos tecnológicos implicam nos processos de ensino e aprendizagem.

Apesar das limitações intrínsecas à EAD, os atores envolvidos constroem estratégias de superação: discussões em fóruns, interlocuções nas aulas síncronas, diálogos em chats e até mesmo o investimento em dispositivos são táticas construídas por aqueles cujo desígnio é construir aprendizagens relevantes à sua formação. Para reforçar essa ideia, evoco a narrativa apresentada por Bruna Ribeiro, no fórum 1: “Ao se falar de recursos, particularmente, precisei investir num meio tecnológico mais avançado, pois, nas primeiras aulas tive bastantes dificuldade para acompanhar apenas pelo celular”. Essa decisão reforça a necessidade de os estudantes da EAD se colocarem como agentes protagonistas da própria aprendizagem, tendo a autonomia, a curiosidade e o rigor autoformativo como eixos norteadores da formação.

 A flexibilidade de horários de estudos, a comodidade de estudar em casa, a reunião de diversos recursos tecnológicos e a autonomia discente são aspectos essenciais à construção do conhecimento na EAD, mas exigem estratégias de auto-organização para transpor os desafios que surgem em razão de outras tarefas cotidianas. Nesse âmbito, destaco a estratégia descrita por Daiane Weber, no fórum 1, quando necessitou entregar uma atividade em uma semana cheia de imprevistos: “Para dar conta, organizei meu tempo em blocos menores de estudo e usei os recursos digitais, como grifar no PDF e anotar ideias no ambiente virtual. No fim, consegui entregar no prazo e participar das discussões”. Esse comentário levou-me a refletir sobre a estratégia que adoto todos os domingos: listar, na ordem das prioridades, a agenda das atividades da semana. É essa organização que conduz meus saberes e fazeres diários!

A combinação dos estudos com outras tarefas cotidianas e as dificuldades técnicas, como a desigualdade de acesso à internet e a falta de dispositivos tecnológicos adequados, trazem à cena questões que são desconsideradas em ações e discursos daqueles que defendem veementemente à EAD. Sem espaço para uma discussão mais profunda sobre essas questões, acredito que superar esses desafios reivindica investir em inclusão digital e estabelecer prazos mais equânimes e flexíveis, visto que as condições infraestruturais e o ponto de partida não são as mesmas para todos aqueles que ingressam na EAD.

Em síntese, considerando minhas experiências e as escrevivências apresentadas pelos colegas, nos diálogos realizados no fórum 1, destaco que as dificuldades residem no limitado tempo para estudos e em conciliar as múltiplas atividades cotidianas com as tarefas do curso; as limitações situam-se na oscilação de internet e até de domínio técnico para navegação nas redes e telas; e, as superações consistem na aquisição de equipamentos mais qualificados, na auto-organização e na responsabilidade formativa para dar conta, com rigor e eficiência, de todas as tarefas do componente curricular e, por conseguinte, do curso.

Análise de material didático

Especialização em Alfabetização e Multiletramentos - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ - UECE

ANÁLISE DE MATERIAL DIDÁTICO

1. Identificação do material

Título do livro escolhido:

CARPANEDA, Isabella Pessôa de Melo. A conquista, Língua Portuguesa: 4º ano: Ensino Fundamental: anos iniciais. 1. ed. São Paulo: FTD, 2021.

Capítulo e página analisada:

Unidade 6, página 218.


Demais informações contextuais relevantes:

Um dos objetivos desta página é: verificar se aplicam pronomes oblíquos na reescrita textual, evitando a repetição de palavras. A habilidade é: (EF35LP07) Utilizar, ao produzir um texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais, tais como ortografia, regras básicas de concordância nominal e verbal, pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, vírgulas em enumerações) e pontuação do discurso direto, quando for o caso.

 

2. Descrição dos elementos multimodais

Identificação dos recursos (cores, ícones, imagens, tipos de fonte):

Os elementos visuais são vitais na construção dos sentidos. Na página em análise, observa-se:

Cores: com tonalidades suaves, as cores trazem a sensação de paz e aconchego, convidando o leitor a observar cuidadosamente os elementos que constituem a imagem.

Ícones e imagens:  uma cena típica do contexto rural, com ícones conhecidos (roupas, varal, cachorro…), provoca o leitor a refletir sobre a imagem e a fazer inferências sobre o texto verbal. Os ícones que compõem a imagem complementam o texto verbal e tornam o conteúdo mais atrativo para o leitor.

Tipos de fonte: as diferentes formas de letra (exercícios a responder, título e texto) ajudam o leitor a perceber que o estilo de letra, na página em análise, representa propósitos distintos. 

 

Disposição espacial e diagramação:

A forma como os elementos são organizados na página implicam na leitura e na compreensão do leitor. Na página em análise, observa-se:

Formatação das margens e espaçamento adequados à estrutura do livro, relação entre o texto verbal e não verbal, imagem alinhada ao texto, enunciado apresentando o texto, questões que envolvem estratégias de leitura e reescrita, envolvendo os conhecimentos linguísticos e gramaticais. À luz dessas considerações, percebe-se que a diagramação da página em análise facilita a compreensão e evita o excesso de informações escritas ou visuais.

 

Forma de interação entre as semioses (verbal e não verbal):

A comunicação multimodal acontece quando as semioses se integram. Na página em análise, observa-se:

A semiose verbal integra-se à semiose não verbal na medida em que as imagens, as cores e os gestos apresentam relações: a imagem ilustra o texto e amplia o sentido quando o homem colocando a carne do varal e a senhora estendendo a roupa em outro varal para secar. Isso permite associar que a carne, ao secar, tal como a roupa, poderá ser armazenada para consumo futuro. A rigor, a integração das semioses permite entender o que está implícito no texto, visto que conectar a linguagem verbal e a não verbal propicia, ao leitor, inferir outras informações além daquelas que estão visíveis.

 

3. Funções dos elementos

Como esses elementos auxiliam na compreensão do conteúdo?

Os elementos gráficos e textuais têm a função de orientar o leitor sobre a importância e a conexão das informações, destacando: títulos, aproximar texto e imagem, favorecer a interpretação e a construção de sentidos, dinamizar a leitura e desenvolver o pensamento. Na prática, os elementos gráficos são essenciais aos processos de leitura, escrita e interpretação.

 

Qual o papel de cada recurso na página (instrucional, lúdico, explicativo)?

A depender do contexto no qual o texto foi produzido e está sendo lido, os elementos gráficos desempenham diferentes funções. Entre elas, destacam:

Instrucional: instruir o leitor a respeito de como compreender as informações, visto que ícones, números ou letras demarcadas por algum símbolo têm funções específicas, como é o caso da página em análise, bem como os títulos ou linhas organizam outro tipo de orientação. A função instrucional está relacionada ao interlocutor e ao tipo e objetivo do material escrito.

Lúdica: essa função exerce o papel de elemento provocativo e motivador do leitor. Elementos visuais, com personagens criativos e uso de cores suaves, que denotam o real, integram a linguagem verbal a não verbal, ampliando as possibilidades de construção de significados.

Explicativa: o objetivo dessa função é contribuir para ampliar a construção de sentidos. Imagens que se relacionam com o texto escrito mostram que leitura e interpretação de imagens é tão importante quanto a leitura de textos escritos. Mais do que isso: elas se complementam, não se sobrepõem.

 

Formatura da turma Pedagogia C - Faculdade do Sertão Baiano (FASB)

Formatura da turma Pedagogia C - Faculdade do Sertão Baiano (FASB)

Senhoras e senhores, BOA NOITE!


Gratidão a Deus pela dádiva de vivenciarmos este momento ímpar, que anuncia a abertura de novos ciclos. Sim, novos ciclos, pois todo fim é um recomeço: o instante em que a história se renova e convida a esperançar. Dito isso, cumprimentamos os formandos, os convidados, os integrantes da mesa de honra, as autoridades, as famílias dos formandos e as demais pessoas presentes nesta cerimônia de formatura do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade do Sertão Baiano (FASB).

Agradecemos ao corpo docente desta renomada instituição, representado por Danielle Silva; a coordenadora do curso, Mardanlia Rocha; a direção, nas pessoas de Ederson Dalpiaz e Lauro Nascimento; e toda equipe técnica e de apoio da FASB. Outrossim, manifestamos orgulho em fazer parte desta conceituada faculdade, que transforma vidas através da oferta de uma educação de qualidade social neste mundo chamado sertão.

É com imensa honra que dirigimo-nos a vocês, formandos e formandas, nesta célebre noite. Hoje, 20 de março de 2026, é dia de choro, alegria e festa! Saibam que o convite para sermos patrono e madrinha da turma nos conduziu a uma travessia repleta de memórias: aulas, leituras, seminários, prosas, dúvidas e estudos sobre currículo, avaliação e metodologias de alfabetização, aquecidos pelo calor do café coletivo. 

Falamos também de educação infantil, sim, mas falamos também de nós. Refletimos sobre o processo histórico dessa etapa, os campos de experiência, os direitos de aprendizagem e as práticas pedagógicas na infância. E, nessa dança entre teóricos e prática, por vezes intensa, por vezes desafiadora, fomos nos constituindo como educadores. E como esquecer dos nossos momentos socioemocionais?  Falamos da coragem de ser imperfeito, aprendemos a escutar, a acolher, a respeitar o tempo e a história do outro. Cada sábado vivido, depois de uma semana inteira de trabalho, deixava de ser cansativo para se transformar em encontros com leveza, alegria, sem nunca perder de vista aquilo que nos trouxe até aqui: o conhecimento. Foi na troca de afetos, no acolhimento sincero e no companheirismo que construímos laços que vão além da sala da faculdade. Construímos respeito, carinho e memórias que permanecerão vivas para sempre em nossos corações. Consolidamos também a responsabilidade com a educação em nosso território e com o mundo.

Queremos expressar nossa admiração e respeito por cada um de vocês, pois escolher o caminho da educação no sertão é, ao mesmo tempo, um gesto de amor e um ato de bravura. Formar-se em Pedagogia é abraçar a nobre missão de inspirar mentes e transformar vidas por meio do instrumento mais potente: a educação. É dedicar-se à arte de ensinar e de aprender continuamente, em um mundo no qual a escola dialoga e disputa sentidos com outras agências e dispositivos contemporâneos. Cada um de vocês, formandos e formandas, carrega a mais bela missão: ser agente de mudanças curriculares, pedagógicas e sociais onde a educação se fizer necessária.

Lembrem-se de que cada estudante é um universo singular, cheio de saberes e sonhos a serem realizados. Como seres inacabados, diria Paulo Freire, apropriem-se do conhecimento para crescer como educadores e, especialmente, como seres humanos. Jamais esqueçam do sábio ensinamento do patrono da educação brasileira: “ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria” e que, “antes de aprender a ler a palavra, se aprende a ler o mundo”.

Frisamos, ainda, à luz dos ensinamentos de Paulo Freire, que “não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A escola não é a solução de todas as mazelas socioeconômicas, nem os professores podem curar, sozinhos, as feridas sociais. Contudo, sem escolas e sem educadores, o presente se esvazia e o futuro se obscurece, pois como nos lembra Darcy Ribeiro, “os professores continuam sendo o nervo e o músculo da educação”. Portanto, afirmamos com convicção: investir na escola e em seus professores é erguer pontes sólidas para um futuro mais justo, equânime e socialmente comprometido.

Tenham coragem, persistência e respeito, aliados a um olhar curioso que lhes permita compreender que “o essencial é invisível aos olhos” e que “só se vê bem com o coração”, como nos lembra Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe. Não temam tentar, errar ou recomeçar; temam, antes, acomodar-se ou conviver com aqueles que não celebram as conquistas alheias. Abram caminhos, construam pontes e semeiem o conhecimento. Cresçam por suas próprias forças e méritos, sem apagar o brilho de ninguém por ambição ou soberba. Que a humildade e a honra permaneçam como as verdadeiras essências de vossas vida.

A Pedagogia C é uma turma composta por pessoas sonhadoras, com saberes culturas e histórias que inspiram qualquer professor, neste momento, arriscamos declarar em um arranjo de cordel, sem esquemas de rimas definidos, escrito no silêncio das madrugadas:


A Pedagogia C é uma turma rara e vibrante

Bárbara irradia alegria, Caroline segue firme e confiante 

Adriana traz calma, Andreia se impõe com nobreza

Claudiane anima os passos, Edna guia com destreza

Ednalva guarda memórias, Elenice é pura simplicidade 

Fabiana é gentil, Genário, com a sanfona, encanta a cidade.


Estudar neste sertão é um ato de bravura

Isla demonstra calma, Itamara não perde a ternura

Jacicléa transmite alegria, Jaene provoca emoção

Jay Júnior é atencioso, Jaqueline demonstra empolgação

Luciene transmite paz, Lucinete é determinada

Laércio é atento, Jamile transforma tudo em risada.


Atuar na educação exige considerar a pluralidade

Marinalva demonstra respeito, Michele sagacidade

Naiane é simpática, Natália demonstra eficácia

Priscila é disciplinada, Ruth traduz audácia

Sandra é paciente, Sineide é literária 

Vívia é tranquila, Sthefany é visionária.


Uma turma plural, onde floresce a criatividade

Viviane é esforçada, Wesllany semeia a sororidade

Wesley filosofa a vida, Thainy espalha calma

Joicy é quieta, toda a turma estuda de corpo e alma

A Pedagogia C forma educadores de seriedade

Que dedicam a vida e fazem da educação um ato de responsabilidade.


Nas trilhas da educação, a Pedagogia C semeia luz e saber

Escuta cada silêncio e faz o sertão florescer

Com inovação nas práticas, reinventam o ensinar

Com compromisso e firmeza, faz sonhos despertar

É uma turma que inspira o futuro com coragem e paixão

Repleta de pessoas competentes para transformar a educação.


Para encerrar, uma quadra tecida em emoção,

A Pedagogia C eterniza, com beleza, a sua missão

Formar vidas, tocar mentes e reinventar o amanhã com dedicação

E a cada formando e formanda, um afetuoso beijo no coração.


Por fim, companheiros de profissão, deixamos um pedido que nasce do coração: antes de adentrarem a sala de aula, elevem o pensamento a Deus e peçam sabedoria e entusiasmo para acender o brilho nos olhos das crianças, despertando nelas o desejo de embarcar nas infinitas viagens do aprender. Lutem por formação acadêmica, mas busquem e pratiquem a formação humana. E que a vida lhes ofereça os jardins mais floridos e perfumados, pois é isto que vocês são: belezas reluzentes e sementes de esperança.

Agradecemos, mais uma vez, a Deus e nos despedimos com a certeza de que vocês seguirão seus caminhos, como é natural e necessário, mas não partirão por completo, pois cada um(a) tem um cantinho especial em nossos corações.

Cordialmente,

Lúcia Borges 

Sidmar Oliveira



Foto: Sidmar Oliveira