sexta-feira, 3 de março de 2017

O ABATEDOURO


Manuel Bandeira escreveu "O Bicho".
Eu escrevi "O abatedouro"!

O Bicho

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.

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“O ABATEDOURO”

Sidmar da Silva Oliveira[1]
Ingenuamente e induzido por conselhos nocivos, o animal vai parar num abatedouro, não àquele que ceifa a vida num só instante, mas àquele que momentaneamente aparenta ser apetitoso, mas que na verdade, devasta a vida parceladamente.

Neste abatedouro, sem notar a desgraça que o abraça, o animal se enche de ilusões, mas na verdade, está espatifando a sua vida. É uma pena que este animal é racional e que os Três Poderes parecem ignorar os abatedouros que funcionam clandestinamente, ceifando o futuro de muitas vidas (...).
     Por Sidmar Oliveira


[1]Docente da Rede Municipal de Ensino de Monte Santo/BA (atualmente é Gestor Escolar de uma escola de pequeno porte). Graduado em Pedagogia pela Faculdade do Sertão Baiano-FASB (2015) e Pós-Graduado em Alfabetização e Letramento na FASB (2016). E-mail: sydy.oliveira10@gmail.com  

quarta-feira, 1 de março de 2017

VOLTA ÀS AULAS - 2017



Volta às aulas – 2017

Mais um ano letivo se inicia. Com o 2017, entraves, expectativas, anseios, dedicação, coragem e que tudo ocorra dentro do esperado. Para tal, embora trabalhosos, os primeiros dias de aula, são primordiais para que o respeito mútuo entre os partícipes da escola persista ao longo do ano letivo. Isso significa que, além do diagnóstico acerca das habilidades dos alunos, o professor/gestor/funcionário/estudante precisam ser dialógicos e no primeiro contato com as crianças, o docente precisa dar ênfase à formação humana, pautada nos valores de respeito às diferenças, respeito ao outro, luta pelos direitos e cumprimentos dos deveres.

É claro que enfrentaremos inúmeros desafios, mas o caminho não será conjugar o verbo DESISTIR. Então, a trilha a ser seguida por nós, precisa ser a trilha do COMPROMISSO e da PERSISTÊNCIA, com inclusão da criatividade, paciência, parceria, flexibilidade, carinho e, sobretudo, o desejo de ficar marcado positivamente na vida do aprendiz.

É com o desejo de um ano letivo vitorioso no que concerne a EDUCAÇÃO, que desejo aos pais, um ano de muita saúde, conquistas e crescimento educacional de seus filhos; aos estudantes, um ano de muita união, amigos e aprendizado; aos professores, saúde, união, conquistas individuais e coletivas, paciência e bons resultados em sua tarefa, isto é, ensinar e notar que seus aprendizes estão construindo/assimilando; aos gestores escolares, saúde, empenho, parceria, gerenciamento democrático da escola e cumprimento dos objetivos traçados; aos demais funcionários da educação, saúde e que os objetivos se concretizem; ao sindicato, união e fortalecimento da classe; a Gestão Municipal, cumprimento de suas incumbências e alcance das metas; ao Secretário Municipal de Educação e sua equipe, saúde, sabedoria, alcance das metas... 

Enfim, que JESUS abençoe a todos que lidam com a educação de nosso MONTE SANTO/BA.

Assim combinado, é hora de começar. Mãos à obra.
Fraternalmente,
Sidmar da Silva Oliveira

ORIENTAÇÕES PARA UM BOM PLANO DE AULA



ORIENTAÇÕES PARA UM BOM PLANO DE AULA

Sidmar da Silva Oliveira[1]
A ação de planejar sempre esteve presente na vida do ser humano e continuará sendo um hábito que precisa fazer parte do dia a dia das pessoas, afinal de contas, é praticamente impossível fazer uma viagem sem saber para onde ir. No ceio escolar, o planejamento ganha uma importância ainda maior, já que a condução de uma aula com um roteiro prévio (planejamento) se torna mais atrativa e mais coerente em relação ao fazer pedagógico, contribuindo assim, para a aprendizagem.

Além do planejamento, a reflexão sobre a aula se torna primordial à prática docente, já que “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que podemos melhorar a próxima prática”. (Paulo freire, 1996, p. 39). Assim, tanto o planejamento da ação pedagógica quanto a reflexão, precisam se tornar hábito do professor a fim de desenvolver aulas pertinentes e contextualizadas aos estudantes.

Á luz das considerações precedentes e considerando os conhecimentos teóricas adquiridas ao longo dos estudos (faculdade) e experiências docentes, sintetizei as principais etapas e/ou orientações para a elaboração de um bom plano de aula. É claro que antes do planejamento propriamente dito, o alfabetizador precisa se indagar acerca de:

ü  Qual leitura (história) irei fazer para principiar a aula?
ü  Por que este conteúdo é importante para os alunos?
ü  Quais objetivos pretendo alcançar?
ü  O que os estudantes já sabem sobre essa temática?
ü  Quais estratégias tenho de utilizar para motivar os estudantes? 
ü  Qual é a relação que essa temática tem com currículo real e oculto?
ü  Como posso introduzir este conteúdo e o que os alunos farão durante a aula?
ü  Quais materiais/recursos a escola dispõe que pode ajudar minha aula?
ü  Quais materiais/recursos posso utilizar para facilitar a assimilação do conteúdo?
ü   Como contextualizar a temática a vida dos aprendizes?

Após refletir tais questionamentos, o plano já está bem encaminhada, faltando apenas colocá-lo no papel (formalizar) e pôr em prática. Lembro-lhes que há diversos ‘esqueletos’ para o planejamento da prática docente, por consequência a estrutura que segue abaixo é apenas uma sugestão e não uma receita pronta.

IDENTIFICAÇÃO: Neste item, o docente deve fazer a identificação da escola, do próprio professor, da turma e outras informações pertinentes à identificação do plano;
1.      DISCIPLINA: Este é o item a registrar a (as) disciplina (as) que serão trabalhadas;
2.      LEITURA DELEITE: Registrar a história a ser lida no início da aula;
3.      CONTEÚDOS: Registrar os conteúdos/s da aula;
4.      OBJETIVOS: Descrever os objetivos a ser alcançados ao final da aula;
5.      METODOLOGIA: Detalhar a metodologia a ser trabalhada durante a aula.
Sugiro “dividir a aula” em momentos, tais como:
1º momento: Roda de leitura - leitura e bate-papo sobre a história;
2º momento: Sondagem acerca dos conhecimentos prévios – introdução da temática;
Assim por diante;
6.      RECURSOS: Registrar os materiais que serão utilizados durante a aula;
7.      PÚBLICO ALVO: Turma/ano em que a aula será desenvolvida;
8.      TEMPO/DURAÇÃO: Descrever o tempo previsto a ser gasto para desenvolver a aula;
9.      AVALIAÇÃO: Descrever como irá avaliar os estudantes durante a aula.
10.  REGISTROS SOBRE A AULA: O docente deve registrar o que deu certo, o que falhou e outros registros pertinentes a orientar novos planos.



BOM TRABALHO!!!!!

REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.


[1] Docente da Rede Municipal de Ensino de Monte Santo/BA (atualmente é Gestor Escolar de uma escola de pequeno porte). Graduado em Pedagogia pela Faculdade do Sertão Baiano-FASB (2015) e Pós-Graduado em Alfabetização e Letramento na FASB (2016). E-mail: sydy.oliveira10@gmail.com

sábado, 25 de fevereiro de 2017

"Amigo de todos os momentos"



Amigo de todos os momentos[1]

Sidmar da Silva Oliveira[2]

Todos os dias, observo um amigo que é professor, durante o processo de reflexão e planejamento das aulas, bem como, os estudos que realiza a fim de ter uma formação continuada e assim, poder lidar com as diferentes temáticas e as dificuldades encontradas em sala de aula. Há dias que esse educador ao chegar muito cansado em sua casa, logo entra em seu quarto, onde há cama, computador, impressora, uma pequena biblioteca... Joga-se na cama e reflete sobre a aula do dia, o que fazer amanhã, as habilidades que vem desenvolvendo, problemas enfrentados... Enfim, vejo um rapaz com cara de preocupado com tudo.
Apesar de sua vida corrida e complicada, vejo que ele dá seu máximo, tanto como professor, como aluno da Faculdade do Sertão Baiano-FASB, onde estuda; e que sou muito importante para ele, já que me deseja ao seu lado e sempre me pede ajuda. Eu como bom amigo, jamais me recuso a ajudar, pois vejo a educação como um momento de interação entre os recursos que há em um espaço físico, e sei que onde não sou utilizado, pode haver certo desconforto.
Certo dia, observei o professor dizer que tinha assistido a um filme (como estrelas na terra) e que este filme lhe trouxe uma grande reflexão acerca do processo educacional e com isso, iria se tornar mais flexível com seus alunos que apresentam dificuldades. Já ajudei o mesmo a construir uma TV de papelão, alfabeto móvel, números móveis, bingos dentre tantos outros recursos, a fim de mudar a realidade dessas crianças. Vi o mesmo muito preocupado com alguns alunos, com as cobranças do sistema, com inúmeros trabalhos da faculdade... Entretanto, muito motivado perante seu trabalho e estudos.
Nos domingos, vejo meu amigo rodeado de livros, atividades e pesquisando no computador, tudo isso, a fim de preparar aulas desafiadoras. Quando estou ajudando, às vezes derrubo alguma coisa (atividade) e ele quando de bom humor - ri, quando irritado por não ter tempo para passear, distrair com os amigos, fica muito bravo, mas agradece a Deus e a mim por estarmos de seu lado lhe ajudando. Ele procura planejar suas aulas com muita organização e sentido, partindo valorização dos conhecimentos prévios e da realidade de seus alunos, visando tornar a educação libertadora e que possa ter sentido para a vida dos educandos.
Meu cordial amiguinho, sempre procura trocar experiência com os colegas, aplica-se perante os trabalhos e estudo da faculdade, se comparece e participa das reuniões pedagógicas e reflete as teorias estudadas a fim de incorporá-las a sua pratica pedagógica. Ele costuma dizer que “na teoria é flores e que a prática só sabe quem convive com ela”. Todavia, dá muita ênfase a teoria. Procura unir o que aprende com os professores e o estudo dos teóricos, a sua metodologia de trabalho. Com meu auxílio para distrair; reflete, pesquisa, planeja e replaneja suas aulas, visando propiciar uma aprendizagem prazerosa e significativa.
Seu trabalho tende a desenvolver processo de alfabetização e letramento, bem como a reflexão e a formação crítica-reflexiva da criançada. Ele é professor do terceiro ano, e espera ao final do ano, perceber que seus alunos desenvolveram as habilidades trabalhadas, tornando-os competentes e preparados para a sequência de estudos e a vivencia na sociedade.
Certo dia, ele chegou e deitou-se em sua cama e me pediu auxílio, não por estar angustiado, mas sim por estar feliz, já que, seus alunos haviam lido e compreendido um convite elaborado pela escola, para os pais. Atendi o professor que se deliciava com os resultados que começavam a aparecer. Enfatizava ainda, que corria muito, não tinha descanso e nem lazer, mas começava a ver que as metodologias de leitura começavam a servir para a vida dos alunos. Falava ainda: "que bom, a escola, educação e leitura não podem ser só para notas, mas sim para a compreensão e significado do mundo".
Vejo o docente preocupado com tanta coisa para dar conta e principalmente com a conversa que irá ter com seus alunos durante a construção do conhecimento. Do mesmo modo, se preocupa e reflete antes de pronunciar-se frente às colegas e demais pessoas presentes afim de não ofender ninguém e de não colocar flores onde não há. Pios, para ele, flores só na teoria, quem exerce a prática, sabe o que enfrenta.
Durante os momentos de reflexão, horas de sono perdido, percebo que ele busca trabalhar de forma construtiva, partindo do micro para o macro, favorecendo assim, para a formação crítica-reflexiva. Também, percebo a necessidade de ter um conforto amigo, e por isso, que não me ausento de seus momentos de reflexão, estudos e planejamento. Mesmo quando não sou útil, estou ao seu lado com muito orgulho, lhe observando atentamente.
Para finalizar, gostaria de dizer que é ótimo ser o que sou, em especial, de um professor, pois, posso presenciar as dificuldades encontradas no mundo da educação, ver as alegrias e as angústias do docente, porém é gracioso quando dou uma ajudinha. Vejo também os valores que o professor deseja construir com seus alunos, valores essenciais como: respeito, ética, responsabilidade, solidariedade...
Percebo que sou útil durante os momentos de leitura e reflexão, e quando o professor está angustiado e de cabeça quente, basta um “chamado”, que com o meu movimento giratório, libero ar e refresco seu humilde quarto. Assim, o simpático companheiro esfria a cabeça, organiza as ideias e se prepara para enfrentar mais uma batalha. Por fim, meu maior contentamento é quando o educador está feliz e me “chama” para refrescar o ambiente, pois vejo que sou indispensável tanto nos momentos de angústias como em situações de alegria. Logo, procuro executar o que me foi solicitado (ventilação) e com isso, a felicidade contagia o local. 
A foto é atual, mas o ventilador é o retratado no texto - 2013!



[1] Trabalho realizado na Graduação de Pedagogia, na Faculdade do Sertão Baiano-FASB, em junho de 2013, sob orientação da professora Verbenia Markley Guimarães.
[2] Docente da Rede Municipal de Ensino de Monte Santo/BA (atualmente é Gestor Escolar). Graduado em Pedagogia pela Faculdade do Sertão Baiano-FASB (2015) e Pós-Graduado em Alfabetização e Letramento na FASB (2016).